segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Igreja Rosário dos Pretos não abrirá na Festa de S. Bárbara Débora Alcântara por Débora Alcântara


Maria Preta na Igreja Rosário dos Pretos  lançando a
campanha Racismo, Aqui Não! com apoio
da Maria Comunicação

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos terá, pelo terceiro ano consecutivo, as portas fechadas para o tríduo da Festa de Santa Bárbara, uma das celebrações mais tradicionais do calendário religioso da Bahia, com ápice no dia 4 de dezembro.
É que as obras de requalificação, iniciadas em 2009, no templo que já tem mais de três séculos, não foram concluídas. Iniciado em setembro de 2009, o restauro arquitetônico, orçado em R$ 2,3 milhões, provenientes do Ministério do Turismo, deveria estar pronto em setembro de 2010, de acordo como projeto executado pelo Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia (Ipac).

“Mas a obra não está totalmente acabada e não temos previsão de quando ficará pronta”, disse Júlio César Soares, procurador-geral da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, fundadora da igreja. 



Segundo ele, falta esgotamento sanitário, iluminação do altar-mor e dos altares laterais, a construção do sobreforro nos corredores, além da divisória de proteção do elevador contra a chuva. “Já ficamos todo esse tempo fora de nossa casa e isso já está trazendo enormes problemas à irmandade”, disse.

Ele ainda cita o imbróglio que corre na Justiça sobre a indenização do gradil da igreja, que foi destruído em 2008 por um automóvel desgovernado. “É o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) que está à frente para resolver este impasse. Mas até agora estamos sem a grade de proteção. Não queremos receber uma coisa amiúde. Só assumiremos a igreja com tudo que havia sido planejado pronto”, afirmou Soares, que ainda advertiu a “impossibilidade de abrigar uma festa de tão grande dimensão”.

Negociação - De acordo com o diretor-geral do Ipac, Frederico Mendonça, a pendência para que a igreja seja entregue à irmandade são apenas “alguns serviços secundários, que não constavam no projeto”. “Quando começamos a obra, apareceram imprevistos que nos forçaram a fazer aditivos. O que é comum em obras como esta, de grande porte”, informou.
Por conta disso, segundo Mendonça, o Ipac está em negociação com o Iphan para finalizar os serviços, que deverão custar R$ 500 mil. No entanto, a assessoria de comunicação do Iphan adverte: “Ainda não há nada garantido. Está em estudo uma possibilidade que depende da programação orçamentária do Iphan nacionalmente”.

Quanto ao atraso de mais de um ano para finalização das obras, segundo a assessoria da Secretaria de Cultura do Estado, deveu-se à necessidade de conservação e preservação de obras de arte pertencente à igreja, durante a reforma. Outra razão informada pela assessoria foi uma greve de dois meses realizada pelos operários da construção civil.

Tríduo no Carmo - Para que o tríduo da festa não deixe de acontecer, a Igreja Terceira do Carmo abrigará mais uma vez a liturgia que chama atenção de adeptos e pessoas de todo o mundo. No entanto, o vice-prior da Ordem Terceira do Carmo, André Ricardo de Freitas, alega que as condições da Igreja do Carmo também estão longe de ser adequadas.
Ele apontou as diversas galerias seculares que ornamentam o teto despencando. “O cupim está tomando conta de tudo. Uma das portas da sacristia chegou a soltar por isso. Os altares estão sendo esburacados. E tudo isso é material de séculos”, advertiu.
Fonte : Atarde

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