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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Jardim das Folhas Sagradas - 4 de Novembro nos melhores cinemas
Um cinema com a cara do Brasil, por Jorge Portugal
Jorge Portugal
De Salvador (BA)
De Salvador (BA)
Deve estrear em breve o filme “Jardim das Folhas Sagradas”, do cineasta baiano Pola Ribeiro.Em sessão especial para a imprensa local, pude vê-lo e saí vivamente encantado por muitos aspectos que não encontro no cinema que se faz atualmente no país.
Para os olhares mais apressados, o “Jardim” pode parecer apenas um filme feito sobre o Candomblé, seus rituais, mistérios e até polaridades internas.Mas eu lhe peço, desde já, que se desarme de qualquer preconceito (se é outro o seu credo) e dirija ao filme o olhar humano e inteligente que merece toda grande obra de arte.Não há dúvida de que o povo negro da Bahia e sua cultura religiosa ocupam a centralidade da trama que, no entanto, traz outros temas que pontilham nosso debate contemporâneo e dizem respeito ao tipo de organização social que queremos e à sustentabilidade do planeta em que moramos: a intolerância religiosa, o racismo e a relação profunda entre religião e natureza permeiam a história, disfarçados de tramas secundárias, mas, apenas, “disfarçados”.
O “Jardim das Folhas Sagradas” é filme para encher os olhos. Se Pola Ribeiro apenas fixasse a câmera na direção de todos os desdobramentos de um ritual de matriz africana, já teria “cinema transcendental” para oferecer ao nosso olhar. As danças, o colorido de pessoas e roupas,a beleza natural dos cenários e cenas, uma cultura viva no seu momento sagrado, por si sós já fariam a grandeza de um documentário imperdível. Mas Pola conta-nos muitas histórias, dentro de uma história maior, que informa e encanta.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Ator baiano João Miguel ganha premio de melhor ator no festival de cinema do Rio.
Chico Anysio (na cadeira de rodas), o diretor Vinícius Coimbra (com o troféu, à dir.) e parte da equipe do longa 'A hora e a vez de Augusto Matraga' (Foto: Alexandre Durão/G1).
"Augusto Matraga" é o grande vencedor do Festival do Rio de Cinema"A vez de Augusto Matraga", baseada na obra de Guimarães Rosa, foi o grande vencedor do Festival do Rio 2011. O resultado, anunciado numa cerimônia no Cine Odeon, na noite de terça-feira, consagrou o longa-metragem de estreia do diretor Vinícius Coimbra, dando a ele ainda os prêmios de ator para João Miguel, ator coadjuvante para José Wilker, e um Prêmio Especial do Júri para Chico Anísio, que atua no filme. A versão original de "Matraga", de Roberto Santos, trazia Leonardo Villar como protagonista e venceu o Festival de Brasília em 1965.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
POEMAÇÃO 21 Homenagem ao Poeta Francisco Alvim
| Foto:Maria Preta por do sol na pedra furada em Salvador - Ba |
Participantes
Menezes y Morais, Isis Albuquerque, João Roberto Costa, Sandra Fayad , José Santiago Naud, Lucia Viana, Marcelo Torres, Marcos Freitas e Daniel Kirjner
LOCAL: Auditório da Biblioteca Nacional (2º Andar)
Data: 06 de setembro de 2011
Horário: das 19h00min ás 21h00min
Entrada Franca
A Biblioteca Nacional de Brasília Leonel de Moura Brizola abre suas portas para o Vigésimo Primeiro POEMAÇÃO privilegiando a poesia brasiliense.
O Poemação 21 faz uma homenagem ao poeta Francisco Soares Alvim Neto, ou simplesmente Chico Alvim: nascido em Araxá, Minas Gerais, 1938, poeta e diplomata, publicou em Brasília seu primeiro livro de poesias, Sol dos Cegos, em 1968. Integrou o Grupo Frenesi, com Cacaso, Chacal, Geraldo Carneiro e Roberto Schwarz. Sua poesia é de filiação modernista, oswaldiana, possui os traços marcantes no trabalho dos chamados poetas marginais.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Jornalistas e intelectuais entrevistam a Noam Chomski, sobre temas contemporaneos.
''A imensa maioria dos árabes pensa que a maior ameaça vem dos EUA-Israel''
John Berger,
Para sua segunda entrevista em menos de um ano com o professor Noam Chomsky (a primeira ocorreu em Cambridge, em setembro de 2010), Frank Barat pediu a renomados artistas e jornalistas que cada um lhe enviasse a pergunta que gostaria que fosse formulada a Noam.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Mostra apresenta acervo cinematográfico da companhia Maristela
|
Cena do filme Arara vermelha, de Tom Payne, exemplo da excelência técnica
praticada nos filmes da companhia paulista
Em 1952, no livro Filme e realidade, o cineasta Alberto Cavalcanti deu vazão a um apelo indignado diante da situação da indústria cinematográfica do país. Cavalcanti, um dos precursores dos filmes de vanguarda na França e dos documentários ingleses do General Post Office, trabalhou em todo tipo de processo produtivo na Europa e ganhou destaque como artista em documentários como Rien que les heurs e Coal face. Convidado a voltar ao Brasil por “um grupo de capitalistas de São Paulo” e ocupar o cargo deprodutor- geral da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, o brasileiro se deparou com um cenário decepcionante. “Graças aos elementos que conseguiram, malgrado todos os empecilhos, realizar o pouco que se realizou; graças igualmente à facilidade com que o técnico brasileiro aprende seu métier, evitou-se, por um triz, até agora, uma catástrofe total. Essa ameaça, porém, continua aumentando cada dia mais — com a cumplicidade de certos dirigentes cinematográficos, com a irresponsabilidade de alguns dos nossos distribuidores e com o desprezo da maioria de nossos exibidores pela educação do nosso público”, escreveu.
sábado, 20 de agosto de 2011
quarta-feira, 25 de maio de 2011
terça-feira, 29 de março de 2011
José Alencar morre aos 79 anos
RIO - O ex-vice-presidente José Alencar morreu às 14h45m desta terça-feira aos 79 anos, após 13 anos de luta contra o câncer.
Alencar estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital Sírio-Libanês desde a segunda-feira, quando sentiu-mal no apartamento da família.
O ex-vice-presidente estava sedado e o coração dele parou no início da tarde. A frequência cardíaca vinha caindo desde a noite desta segunda-feira. Os médicos chegaram a registrar pressão arterial baixa, de cinco por três, e a firmação que não haviam mais tratamento possível. Ele chegou ao hospital de ambulância com quadro de oclusão intestinal, consequência do câncer na região, e peritonite.
A mulher do ex-vice-presidente dona Mariza, além de filhos e e netos, estão no hospital. Não há, até o momento, informações sobre o velório ou onde ele será enterrado.
Fonte : o Globo
Quem nasceu em Salvador, quem entende de baiano !
"O certo seria o Dia da Consciência Mulata"
Claudio Leal/Terra Magazine Cid Teixeira, 85 anos, o historiador mais popular da Bahia, é o "único mulato baiano" assumido, ao lado de Caetano Veloso: "A mulatice é rejeitada pelo branco e pelo negro" |
De Salvador (BA)
Um homem avista o casarão arruinado, no Centro de Salvador, e decide parar o carro, para contemplar os adornos. Ao lado, um mestre de obras. Malemolente, encostado no tapume, ele vê o estranho sondar os desvãos do prédio em caquinhos.
- O que era isso aí?
E o operário responde:
- Não sei. Por que o senhor não pergunta ao professor Cid Teixeira?
Oitenta e cinco anos, a picardia dos séculos nos olhos em losango, o historiador Cid Teixeira ganhou o reconhecimento dos anônimos no programa radiofônico "Pergunte ao José", no qual respondia a dúvidas sobre a história de Salvador e da Bahia. A simplicidade de seus relatos, sem espezinhar o vernáculo, revelava um humanista, um leitor de crônicas históricas e da literatura universal.
Veja também:» Cid Teixeira: "Ficar viúvo é uma tragédia. A sociedade não deixa"
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O folclorista Câmara Cascudo se definia como "erudito de província". E talvez Cid José Teixeira Cavalcante, nascido em 11 de novembro de 1924, seja também uma ave dessa espécie, pela despretensão da conversa e pela autoridade de intelectual à margem das vaidades acadêmicas. O romancista Jorge Amado o descreveu em "Bahia de Todos os Santos" com essa roupagem de historiador a serviço do povo, da divulgação da história ao homem comum:
"Os programas de Cid Teixeira implicam sempre a análise e a extensão cultural de um problema, um fato, uma figura, um aspecto da vida da Bahia, levam ao ouvinte a erudição e a pesquisa realizada por um intelectual da melhor estirpe para quem a cultura é um bem provindo do povo e que a ele deve ser restituído".
Afastado dos jornais, das salas de aula e das rádios (chegou a ser editor-chefe da Tribuna da Bahia), Cid Teixeira mantém suas leituras e a memória do cotidiano minúsculo, porém essencial para compreender a formação do povo baiano - e, claro, o brasileiro, já que as desordens nacionais nasceram na cidade do poeta Gregório de Mattos.
Em entrevista a Terra Magazine - com a participação especial do antropólogo Roberto Albergaria, doutor pela Universidade de Paris III -, Teixeira aborda a história da negritude na Bahia e avança sobre as privacidades da Província, das técnicas de "branqueamento" aos ardis do matrimônio. Ele folga em definir-se, sem palavrinhas de meio caminho, como um mulato baiano.
- A mulatice é rejeitada pelo branco e pelo negro... Havia aquele negócio de barriga suja, barriga limpa. Quando o menino nascia mulato, se saía dominantemente mulato, a mãe tinha barriga suja. Se o menino nascia dominantemente branco, a mãe tinha a barriga limpa. Tinha essa conversa...
Em vez de segregar, afirma Cid, o melhor seria assumir a mestiçagem sem recalques. Na contramão do discurso de linhagem norte-americana, ele provoca:
- Já pensou o que seria da Bahia se os brancos baianos resolvessem fazer o Dia da Consciência Branca? Já pensou? Teria tumulto na rua. O certo e verdadeiro seria o Dia da Consciência Mulata (risos) Aí estaríamos falando a verdade, mesmo.
Autor de "Bahia em tempo de Província" e "Histórias: Minhas e Alheias", entre outros livros, ele relata, certamente pela primeira vez, o vestibular étnico prestado para entrar na Academia de Letras da Bahia. Em conferências, ele fazia questão de assumir-se um mulato nato, no sentido lato, mulato democrático do litoral - com a licença poética do autodeclarado mestiço Caetano Veloso. Diz o professor:
- Os piores são os mulatos metidos a branco... Quando eu entrei pra Academia de Letras, na história da Academia de Letras de 1917 até hoje quem entrou com menor número de votos fui eu. Eu entrei com um voto só que decidiu o ingresso. Houve uma campanha contra mim patrocinada, não vou dizer o nome aqui, por um cidadão mulatíssimo. Médico baiano mulatíssimo que patrocinou o veto.
Neste depoimento, em sua casa no bairro da Pituba, na capital baiana, ele descreve minúcias do familismo provinciano. Se quer saber, relata como é difícil permanecer viúvo ante inúmeras investidas de conselheiros e pretendentes.
- Ah, ficar viúvo... É uma tragédia. Porque o que existe de gente querendo arranjar noiva, namorada e casamento pra viúvo... Sou viúvo hoje. É um negócio terrível... "Ah, você está sozinho, tem que casar, arrumar alguém..." E esse alguém já está programado pra tomar o lugar da finada.
Prosa gentil, doce e maledicente, como o bom baiano deve ser, Cid Teixeira identifica a vocação regional para o vira-casaquismo, uma arte derivada do chaleirismo, hoje disseminada de Brasília à Cidade da Bahia, com ganhos para todos os lados.
- Não havia revolucionários em 1930. Quando a Revolução ganhou, acabou-se o estoque de pano vermelho nas lojas. Porque todo mundo estava de lenço vermelho nos pescoços, todos viraram revolucionários.
Seguimos o conselho do mestre de obras e perguntamos ao José. Leia a conversa no jardim da casa de Cid Teixeira, o gênio da raça.
Terra Magazine - O senhor é um grande entendedor do mulatismo. Quais eram as astúcias simbólicas que as famílias tradicionais baianas utilizavam para o seu branqueamento? Como as pessoas se faziam crer brancas, antigamente, numa cidade parda, onde o único branco puro, como você dizia, era o cônsul da Suécia?
Cid Teixeira - O único branco puro que eu conheço aqui na Bahia é o cônsul da Suécia. Alguns são, digamos assim, ostensivamente mulatos, outros disfarçadamente mulatos, mas a maioria é composta de pardos. Pardos mais evidentes, pardos menos evidentes. Agora, o negro baiano existiu em grande relevo, em grande importância, em grande repercussão. Qual é o engenheiro branco hoje que equivale a Teodoro Sampaio? Você conhece algum? E ele era um negro. Américo Simas era um negro. Arlindo Fragoso era um negro. Manoel Querino (escritor e fundador do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia) era um negro. Nomes do século 19 que alcançaram relevo, importância social. Vidal da Cunha era médico e negro. Todo mundo procurava Vidal da Cunha para operar. Era um privilégio fazer uma cirurgia com dr. Vidal da Cunha, "o" cirurgião que a cidade possuía. Assim como esses que citei de exemplo, tem uma porção deles. Na construção civil, o mestre de obras era negro, seu Menininho, Oldegário Ludgério dos Santos, que eu conheci demais. Negro, negro, negro. E estava vigente socialmente.
Os brancos moravam na Graça e eram, em geral, decadentes. Donald Pierson (sociólogo americano) inventou a expressão "os brancos da Bahia". "Brancos e pretos na Bahia", de Donald Pierson, continua sendo o livro fundamental para entender isso. Porque ele veio dos Estados Unidos, onde só havia preto e branco. Quando ele viu na Bahia uma porção de mulatos, pardos, serem tidos e havidos, inclusive sinceramente, honestamente, se acreditando brancos, ele se espantou e criou a expressão "branco da Bahia". Um branco específico, que se considera branco mas não é. A Bahia é uma cidade parda, uma cidade de uma gradação - quase eu diria degradação - de pardos variados. Eu que estou aqui falando, tenho guardado comigo o ferro o com o qual minha bisavó foi ferrada. Tenho guardado, está em minha mão. Minha bisavó, escrava, foi ferrada a fogo porque era negra. E daí entraram brancos pelo meio, coisas variadas aconteceram, duas famílias, três famílias com o mesmo pai, tudo vai se resolvendo. Eu estou aqui, pardo, mulato baiano, conversando com você.
Mas você é considerado "branco".
Branco da Bahia!
Qual era a ascensão social do negro no final do século 19 e início do 20?
Valia por si. Valia por si. Gosto de usar o exemplo de Teodoro Sampaio (1855-1937) porque tem retrato conhecido e difundido aí pela cidade. Teodoro Sampaio era negro. Filho de pardo com escrava preta. Foi pra São Paulo, o pai mandou pra lá, formou-se em Engenharia. Ruas de São Paulo, o sistema de esgoto da Bahia que ainda hoje está vigorando no Centro da cidade é de autoria dele. O plano original de 1917 é dele. Essas ruas todas, o plano central da Pituba, foi feito por ele em 1917. Era um homem capaz de fazer isso. Se ainda tinha uma doença mais grave, e precisava de um médico mais especializado, convidava Caio Moura, convidava Vidal da Cunha. Eram os dois médicos. E cada bairro tinha o seu. Perceval Vasconcelos, negro, foi médico do Rio Vermelho. Ir à cidade do Salvador já era uma violência (ri) Não tinha avenida oceânica e o bonde 14 matava quando Deus era servido... Então, doutor Perceval, negro, foi o médico do Rio Vermelho inteiro. Doutor Júlio David...
Do bairro da Ribeira.
Da Ribeira e de Itapagipe inteiro. Luiz Anselmo, autor do "Escravidão, o clero e o abolicionismo", negro. Virgílio de Lima, negro. Todos eles estavam aqui com ascensão social e respeitados porque necessários à comunidade tida por branca.
A forma de ascensão era individual ou por apadrinhamento?
Não! Era sempre individual.
Teodoro Sampaio, por exemplo, era filho de quem?
Do vigário de Santo Amaro. Mandou o filho pra São Paulo.
Onde Teodoro se ligou à família Prado.
Se ligou, por mérito, a dona Veridiana Prado, mãe de Eduardo Prado. Dona Veridiana era uma espécie de grande matriarca da comunidade paulista. E adotou-o. Lá em São Paulo ele se firmou. Já chegou à Bahia engenheiro famoso, respeitável. Veio pra cá trabalhar, morava na Ladeira de São Bento. Ele morreu em 1937, era amigo de meu pai. Me lembro vagamente dele. Eu tinha 11 anos. Tenho dele uma memória diluída, mas tenho. Teodoro Fernandes Sampaio.
Essa expressão "branco da Bahia" não é mais antiga, não é também referente aos líderes políticos baianos que iam para o Rio de Janeiro?
Não conheço. Conheci essa expressão forjada por Donald Pierson. Pode ser. Mas, você quer um mulato mais mulato do que J.J. Seabra (ex-governador da Bahia, professor de Direito)? Esse já era quase negro: Severino Vieira. Essa expressão "deixa que eu chuto" vem do tempo de Severino. (risos)
E quais eram astúcias de branqueamento? Casamento?
Casamento, estruturas familiares detentoras do alto comércio baiano, ser Manoel Joaquim de Carvalho, ser Bernardo Martins Catharino, ser seu fulano de tal Cruz, que não me lembro agora... Esses eram tidos e havidos por brancos. Costa Pinto. E os estrangeiros que vieram pra Bahia. A colônia suíça com Wildberger e outros. A colônia inglesa. Havia um bairro chamado Banco dos Ingleses. Dos ingleses que moravam lá. O cemitério dos ingleses. Esses foram fazendo filhos por aí. Foram criando os brancos da Bahia.
Como era a relação dessas famílias com os empregados?
Não há notícia de (maus tratos)... Ao contrário, até de uma boa convivência.
Os pais de família branca ou brancarrona não resistiam?
Ah, resistiam. Uma moça brancarrona, como você está dizendo, namorar e casar com um mulato escuro, preto, era tido como... Sei lá. Eu digo isso pela minha estrutura familiar. Meu pai casou com minha mãe, não direi contra, mas com restrições, com pequenas referências, mas depois casou e nascemos nós, está tudo bem.
Nas famílias havia fuxico com relação ao cabelo de ondinha...
Cabelo de ondinha...
No fundo, o grande fator de miscigenação era o fato de as mulheres feias, encalhadas, terem nos mulatos uma possibilidade de sair do barricão?
Não, não acho que seja isso. As mulheres feias e as mulheres bonitas sempre existiram. Umas se casaram com brancos, outras se casaram com negros, algumas não se casaram simplesmente. Mas não creio que a beleza em si tenha influído.
Na hora da negociação familiar, entrava o quê? Cor, dinheiro e beleza?
Sim, beleza.
E tinha a formosas sem dote, que negociavam seu dote físico no mercado matrimonial.
Exatamente. Em geral, o noivo, embora negro ou pardo, tinha uma condição econômica melhor do que o sogro.
Se fala muito da contribuição da geração de Jorge Amado, de Caymmi, do jornalista Odorico Tavares, para a assimilação do negro, da cultura negra. Como o senhor entende?
Vou dizer uma coisa aqui que vai chocar muita gente: a Bahia foi um assunto pra Jorge Amado. Nunca o vi baiano no sentido integrante do processo social baiano. A Bahia foi um assunto muito bem tratado por Jorge Amado. Mas foi assunto. Caymmi é outro. Caymmi tocou violão na Bahia, foi pro Rio de Janeiro e lá continuou usando a Bahia como assunto, mas, quando lhe deram uma casa aqui, a primeira coisa que ele fez foi vender a casa.
Existia. Ela era uma realidade. Mas esses nomes que você usou aí utilizaram essa realidade com um comprometimento pessoal muito relativo. Verger nunca acreditou em um orixá na vida dele. E Verger foi Obá, que é o que pode haver de mais hierarquicamente importante no Candomblé. Mas você não pode comparar a crença, a integração de Verger com a de Miguel Santana (Ojé Orepê do Culto aos Egungun). Era um negro baiano integrado no processo do Candomblé, totalmente. Verger era um francês integrado no processo do Candomblé sem, em nenhum momento, assumir o compromisso de crença que você quer dos negros.
Quais eram as características predominantes da Bahia, nos anos 20 e 30? Como ela era representada nacionalmente?
A Bahia não era representada nacionalmente. Era um corpo estranho dentro do processo paulista e carioca.
Não tinha aquela ideia da velha mulata, o lugar onde o Brasil nasceu? Ruy Barbosa...
Não, não, não. Não tinha, não. Ruy Barbosa, bom mulato baiano, morou no Rio, veio à Bahia fazer campanha civilista. A Bahia era um assunto, não era uma integração. Bahia é boa terra, ela lá e eu aqui. Era o grande ditado da época! (risos) A Bahia é boa terra, ela lá e eu aqui!
Há a epígrafe de um livro, o professor Ruy Simões que falava, não sei se de Afrânio Peixoto ou de Afrânio Coutinho. Na época existiam vários breviários, guias da Bahia, e tinha essa epígrafe: "A Bahia é o melhor lugar do mundo para nascer e lembrar-se depois".
Não me lembro de ter lido, mas é verdadeiro.
A elite baiana migrava pro Rio?
Migrava. A elite letrada. Oscar Freire fundou, na Bahia, a medicina legal no Brasil. Foi pra São Paulo, ficou em São Paulo, morreu em São Paulo. A Rua Oscar Freire é refinada, de primeiro plano, o nome veio de um médico baiano que migrou pra São Paulo. O "Nina Rodrigues" de lá é o Instituto Oscar Freire.
A turma de Jorge - e aí entra Verger, Caymmi - não inova na medida em que incorporam as coisas da Bahia, a tradição populista?
Ah, sim! A Bahia foi um grande assunto. Jubiabá não seria mais lembrado se não fosse o romance de Jorge Amado. Os capitães da areia seriam esquecidos. Aquilo tudo era uma verdade sociológica. Na verdade, Jorge Amado foi muito mais um sociólogo do que um romancista.
E o resto da elite que acreditava naquelas coisas francesas, essa gente tinha resistência a esse grupo?
Não, considerava um segundo time. Eu ainda alcancei pessoas do meu conhecimento importando, pagando o "Bon Marché", que era o figurino francês por excelência, à moda do que estava vigente em Paris.
Em casa, Jorge Amado era leitura proibida para as moças?
É, verdade, não podia ler Jorge Amado.
O reconhecimento dessa turma não vem mais do olhar de fora, do Rio, de São Paulo, do que da própria elite baiana?
Exatamente. Ele (Jorge Amado) descobriu a Bahia. A elite baiana passou a perder a cerimônia. Por exemplo, eu morava na Federação quando era garoto, numa roça vizinha à roça de Dona Escolástica - ninguém dizia Mãe Menininha (1894-1986), não. "Mãe" era privativo de quem era filho de santo. Dona Escolástica, como minha mãe a chamava. Em minha casa tinha uma geladeira e na casa de Dona Escolástica não tinha. Quando chegava tempo de Candomblé, de festa lá, a geladeira de nossa casa era usada pra guardar os ingredientes das festas de dona Escolástica. E compareciam à casa dela pessoas que iam jogar búzios, fazer consultas. Pessoas da branquitude baiana, mas que eram altamente reservadas, chegavam meio escondidas, não eram pra ser vistas. Da minha casa se via porque dava pra ver. Minha mãe comentava: "Ó praí, quando acabar diz que é branco baiano. Não tem nada disso, vai lá consultar, vai ver se casa".
O Candomblé era restrito, ainda, aos negros?
Aos que acreditavam. Ninguém ia "ver" o Candomblé. Só ia ao Candomblé quem era filho de santo, quem acreditava no Candomblé. Ver no sentido turístico da expressão, não havia isso. Nem com Dona Menininha, nem com Dona Senhora (1900-1967). Conheci bem Dona Senhora. Nem Joãozinho da Goméia (1914-1971) nem com os candomblés da cidade.
E os grandes jornais?
Falavam mal. Você não encontra nenhuma louvação ao Candomblé. "Os atabaques não deixam a vizinhança dormir e tal..." Os jornais eram maledicentes em relação ao Candomblé. "A cidade cheia de ebós, cheia de feitiços..." Os jornais não aceitavam.
A gente está aqui falando das heranças africanas, mas me lembro que uma vez, no Instituto Histórico, o senhor falou que as heranças portuguesas, no Brasil e na Bahia, estavam sendo desprezadas...
Deixe eu lhe fazer uma pergunta. Vamos inverter agora. Você nunca foi rezado de olhado, não?
Já fui.
E eu também (faz uma reza com as maõs).
Vinha uma senhora com o galho de arruda...
Era o lado B da branquitude religiosa. Era a fronteira entre a ortodoxia religiosa e o Candomblé. Rezar de olhado. Nunca incensaram sua casa aos sábados, não?
Enviado por Carlos Verçosa
domingo, 27 de março de 2011
FRASE DO DIA
O homem guerreia para que seu corpo físico sobreviva. Ao mesmo tempo, busca incessantemente a paz, visando à imortalidade de sua alma.
Mãe Stella de Oxóssi
terça-feira, 22 de março de 2011
“Digaí Negão”: olhares sobre a presença de Obama no Brasil- por Fátima de Oliveira, Jornal O TEMPO
Foto veiculada via twitter pelo @sergioricardo64
Fonte: http://mariafro.com.br/wordpress/?p=24254“Ele não é apenas o presidente dos EUA, é uma estrela”Na escrita, foram vigorosos os protestos contra a visita do presidente Obama, como a nota de repúdio “É muita guerra para quem diz promover a paz”, da Central de Movimentos Sociais (CMS). Muitos se arvoraram em falar, sem procuração para tanto, em nome do povo brasileiro, a exemplo do abaixo-assinado do Cebrapaz, cuja tônica foi a ilusão com a eleição dele para além de que, para o mundo, um democrata sempre é menos pior que um republicano: “O senhor chegou como esperança de crescimento do homem em todas as esferas. Veio de uma classe média diferenciada, traz nas veias a herança de seus antepassados, que construíram a economia de seu país”.Encerra afirmando: “Queremos aproveitar a ocasião para uma reflexão necessária: a generosidade, a solidariedade, o respeito à soberania de cada país e, principalmente, centrar nossas potencialidades para transformar o caos em que vivemos num mundo melhor. Acabe com o embargo a Cuba e liberte os cinco heróis cubanos, em nome da real integração entre os povos”.O Instituto Maria Preta, da Bahia, em outdoor criado pela sua mantenedora, a Maria Comunicação, ousou usar a saudação mais bacana da inventividade soteropolitana, no trato para pessoas do peito (mais Bahia, impossível): “Digaí Negão!” – modo criativo de “tematizar”, com recorte racial/étnico, a presença de Obama no Brasil.O ator Lázaro Ramos, indagado sobre o impacto na população negra da visita do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, foi incisivo: “…Isso afeta a nossa autoestima de uma maneira incalculável. Você não acha que uma criança negra que vê um presidente como o Obama não vai se sentir mais possível? Ver um referencial positivo sempre estimula a gente a querer mais, a se sentir mais possível. Eu falo de criança porque geralmente é onde referências são importantes, mas para mim ele também é uma superreferência”.É lapidar um comentário ao artigo “Imprudência diplomática”, de Mauro Santayana: “Entendendo-se que Obama é um superstar de alcance mundial que ocupa a Presidência dos EUA e que carrega um simbolismo (um negro no poder do país de racismo mais deslavado) que encantou o mundo, mesmo que fosse apenas para derrotar George W. Bush, tem significado, sim, que fale ao povo brasileiro. Obama não é apenas presidente dos EUA, é uma estrela mundial de signo muito forte. O que não é pouco. Sejamos sensatos e pragmáticos: entendamos a importância dele para a luta contra o racismo” (Depaula).No mundo, quem portava um neurônio funcionante torceu por ele. A Maria Comunicação, nas prévias do Partido Democrata, criou o outdoor “Pensar o Novo”, o mesmo slogan da agência; e Obama eleito lançou o cartaz: “Feliz mundo novo – Pensar o novo é ajudar a desenhar um futuro melhor”. Obama não é donatário de uma capitania hereditária, preside um país opressor, bélico e impregnado da cultura do Velho Oeste, pelas regras vigentes: poderes presidenciais restritos, fora o expansionismo ilimitado, nem que seja à bala, parte do DNA estadunidense.Ao mesmo tempo, é um ícone negro ímpar, que ocupa a Casa Branca, como inegável cunha antirracista, pelo voto popular, e demonstrou ao mundo que fazer política ainda é a arte de disputar ideias. Eis a lição de Obama que interessa!O movimento negro se deixou acuar, e o governo brasileiro, pelas lentes embaçadas do Itamaraty, não atinou que o maior legado de Obama aqui, no Ano Internacional para Descendentes de Africanos, era o repertório antirracista! Ai, meus sais!Fátima Oliveira é médica - fatimaoliveira@ig.com.br
segunda-feira, 21 de março de 2011
Atrações Quitanda do Saber 2011
A Quitanda do Saber em 2011 foi muito animada, um grande encontro de amigos recheada de participações importantes.Além de Catadinho do Samba que abriu o evento seguido do Ilê AiYê e Bambeia vieram dar o abraço e suas mensagens cantadas de paz figuras emblemáticas como Gal do Beco, Aluísio Menezes, Cumpadre Washinton do Tcham, Tonho Matéria, Barabadá entre outros.
Valeu galera! 2012 contamos com vocês para fazer uma festa tão ou mais bonita que esta e todas as outras quitandas! Muito Obrigado!
Valeu galera! 2012 contamos com vocês para fazer uma festa tão ou mais bonita que esta e todas as outras quitandas! Muito Obrigado!
| Gal do Beco |
| Barabadá |
| Alaíde com Cumpadre Washington |
| Alagria |
| A Pérola Negra Ilê |
| Rogério do Banbeia, Concita da Maria Preta e Alaíde do Feijão |
| Da direita para esquerda Vovô do Ilê, Vereador Moisés Rocha,Rogério e Vadinho França do Alvorada |
| Deusas do Ébano |
| Aluízio solta a voz |
| Simpatia |
| Tonho Matéria - Bom de Mais!!! |
| Cumpadre Washington !!!!!Tcham!!!!! |
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Posse da nova diretoria do Sebrae - Bahia
Foi empossada, hoje, a nova diretoria executiva do Sebrae na Bahia, que comandará a instituição no quadriênio 2011-2014. O atual presidente, João Martins da Silva Júnior, e o superintendente, Edival Passos, permacem nos cargos, após o Conselho Deliberativo decidir, por unanimidade, as suas permanências, em eleição realizada em novembro do ano passado. Já as diretorias de suporte e operacional terão novos titulares, com Luiz Henrique Mendonça e Lauro Alberto Chaves Ramos à frente. Tomou posse também, como presidente do Conselho Fiscal do Sebrae baiano, Antonio Pedreira de Freitas Burity. A cerimônia realizada às 18h, no Salão Itapuã, no Bahia Oton Palace Hotel, em Salvador, conta com a presença do secretário estadual da Indústria, Comércio e Mineração (SICM), James Correia, do presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), José de Freitas Mascarenhas, além de representantes de micro e pequenas empresas, presidentes de associações e sindicatos.
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Cu também é cultura, de acordo com uma Galeria de Arte de Paris. Confira abaixo:




