segunda-feira, 7 de outubro de 2013

"A linguagem do amor é feita de sonhos, murmúrios e gestos indecifráveis que ninguém explica, mas todos entendem. Independe do idioma e é universal."

Rafaela Carrijo há 7 anos se apaixonou por Jochen e hoje vive com ele na Alemanha
Por RAFAELA CARRIJO

A vida está cheia de situações inexplicáveis, coincidências e desatinos, e aquele 13 de Novembro foi um dia de mistérios que sacudiram o meu mundo. Eu olhava as ondas que quebravam na rebentação e o oceano espiava meus olhos castanhos. Lá estava eu, diante do horizonte azul desafiando o Universo, buscando uma luz que me permitisse descobrir atalhos para encontrar o verdadeiro amor. 

A noite chegou e, no meio dos tambores da festa, a mágica da atração me causou disritmia. Seus olhos anis de tão azuis marcavam sua feição de Adônis peregrino e devoravam a minha fala

e o meu coração. Reconheci a face do amor e ele era estrangeiro. O andarilho que roubou meu coração saiu da Alemanha, mochilou 365 dias entre os cinco continentes, só para cruzar comigo nas esquinas da Bahia e criar na minha mente a pergunta que rege os meus dias: Qual é a linguagem do amor?

Ao me apaixonar instantaneamente por um estrangeiro, percebi que as forças que orquestram este sentimento são mais complexas do que eu imaginava. Este afeto profundo e caloroso é universal, não tem cara, cor, credo, idade, sexo ou nacionalidade. O cupido pode escolher qualquer um para dar suas flechadas e, no mundo globalizado, se multiplicam histórias de amor entre pessoas de países diferentes.

Já se passaram sete anos que caí nos braços do galã forasteiro. Este mesmo amor sem fronteiras, que me fez ganhar o mundo e estabelecer um ninho na Alemanha, me faz filosofar sobre a indecifrável e universal linguagem da paixão. O amor é um balaio que mistura química com carma, desejos com afinidades intelectuais e um poder de atração que faz com que essas pessoas escolham ficar juntas, muitas vezes desafiando a lógica, a comodidade e até o idioma, como é o caso dos casais binacionais que enfrentam, além das dificuldades normais das relações, obstáculos como distância, integração, choque cultural, e saudades do país de origem.

No dicionário do amor, há uma porção de sentimentos para os quais ainda não inventaram palavras, coisas experimentadas visceralmente que fazem os pares se sentirem destinados uns aos outros. Por outro lado, mesmo que ambos tenham nascido na mesma cultura e falem o mesmo idioma, em algumas situações serão incapazes de falar a mesma língua. São aqueles momentos em que tudo que se diz é inútil pois para o outro parece que você fala grego. Enfim, para que a comunicação seja fluida e eficaz, sem sequer precisar de palavras, uma boa dose de disposição e flexibilidade sempre é necessária.

Para permanecer ao lado do homem ou mulher da sua vida é preciso saber falar a língua que balanceia os hormônios, que sacode o peito, que acalma os ânimos, que desata os nós, que perdoa os tropeços, que desperta o riso e que une os destinos. Olhar o outro com desejo de descoberta e fome de diferenças, destinar gentilezas, trocar olhares e beijos faz com que desta língua louca se escreva uma sólida história de amor. Ao aprender o idioma dos encantados, mesmo depois de anos, o coração provocará a batucada que silencia a boca numa busca louca de símbolos e gestos que traduzam eu te amo, “ich liebe dich” (alemão), je t'aime (francês) ou i love you (inglês). Se você já perdeu o fôlego, peço que me conte seu romance e me ajude a decifrar qual é a linguagem do amor.


Rafaela Carrijo é uma contadora e ouvinte de histórias. Brasileira com orgulho e andarilha por destino, adotou a Alemanha como pátria por paixão. Como repórter, a encanta ouvir os entrevistados e investigar a realidade para transformar fatos em notícias. Como narradora, a inspira contemplar detalhadamente o mundo para estampar nos seus textos preciosidades de suas andanças. Fascinada por descobertas, a escrita é sua ferramenta para alimentar pessoas com sonhos e um punhado de narrativas


Fonte : Tempo de Mulher

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