
TERRA MAGAZINE REPERCUTE ARTIGO DO PUBLICITÁRIO JOÃO SILVA.
Comunicação inadequada atrapalha imagem do Brasil na Copa
POR JOÃO SILVA
Normalmente, eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas, se bem conduzidos, elevam a autoestima da população, servem como poderosa ferramenta de marketing para que os países sede possam difundir suas culturas, atrair investimentos, e fortalecer seus negócios; contribuir para o seu desenvolvimento e riqueza, enfim, além de gerar dividendos políticos para seus governantes.
No entanto, o clima anti-copa que toma conta de todo o Brasil, aliado à violência desenfreada, está chegando a um ponto que dificilmente será revertido nos próximos meses, podendo inclusive, se agravar ainda mais com medidas e ações equivocadas do tipo: "a copa das copas" ou "exército nas ruas para garantir segurança" etc.
O ufanismo fora de contexto, aliado à ideia de repressão, com certeza irão gerar prejuízos de toda ordem para o Estado brasileiro, para seus principais gestores, e para estados e cidades sede da Copa 2014.
Neste momento, o que percebemos é uma tremenda dificuldade para falar a língua da imensa maioria da população brasileira, formada majoritariamente por afrodescendentes e, principalmente com os jovens da periferia que se perguntam a todo instante "Copa para quem?"; ”Cadê os serviços públicos”; “Cadê o tal do legado tão propagado?”; “O que é que eu ganho com isso”?
Projetos de qualidade não faltaram. Sei que existem centenas de projetos desenvolvidos e apresentados pela iniciativa privada, alguns até obtiveram a chancela do Ministério dos Esportes e do governo brasileiro para promoção do país e envolvimento da sociedade para a Copa e Olimpíadas. Mas acabaram ficando no papel porque nunca houve um real interesse dos gestores quanto ao assunto, por uma visão limitada e simplista da complexidade de um evento deste porte. Projetos que, se tivessem sido implantados, poderiam estar dialogando com grande parte da população, reduzindo sobremaneira o impacto de eventos adversos e contribuindo muito, de forma verdadeira, para a imagem positiva do país e de seus organizadores.
Ou seja, perdemos um tempo precioso na elaboração e envolvimento da sociedade em torno do grande evento mundial.
Receio que essas barbeiragens, percebidas somente agora pelas autoridades, somadas a uma série de denúncias de corrupção e violência, aliadas às disputas eleitorais, sejam objeto de ações e esforços de comunicação com a mesma visão equivocada exposta aqui.
Caso isso ocorra, não só perderemos a oportunidade de agregar valor e restaurar a imagem já desgastada do país aqui e lá fora (se é que é possível ainda), como poderemos estar acendendo um grande rastilho de pólvora com consequências imprevisíveis.
Em artigo publicado em agosto de 2013, logo após as manifestações de junho, afirmei: “…Não se combate falhas de gestão com propaganda. Isso tem ficado cada vez mais claro no mundo inteiro. Continuam se equivocando aqueles que pensam que a eficácia das ferramentas, indiscutivelmente necessárias durante a campanha eleitoral, seja a mesma no momento de governar, quando se exige mais ênfase na comunicação social e não no marketing político. Isso beira a ingenuidade. Especialmente em momentos de crise. Por coisas como esta a credibilidade dos políticos brasileiros e a competência de grandes profissionais do marketing eleitoral estão sendo colocadas em xeque”.
Não é por acaso que a avaliação do governo federal indica uma tendência de queda paulatina, que poderá ou não ser estancada.
Comunicação inadequada e propaganda enganosa é igual a medicação prescrita de forma errada, pode acabar matando o paciente. É preciso pensar o novo! Precisamos de “olhos novos para o novo", como diria Oswald de Andrade.
João Silva – Um dos publicitários baianos mais premiados do País, autor do número recorde mundial de 1.000 marcas, Diretor da Maria Comunicação. joaosilva@uol.com.br
Via Portal Terra
Nenhum comentário:
Postar um comentário