Uma jovem de 18 anos afirma ter sido vítima de um comentário racista quando deixava a faculdade Souza Marques, em Madureira, Zona Norte do Rio, na última quinta-feira. Funcionária da instituição, Larissa Inácio estava acompanhada de uma amiga no banheiro, quando ouviu de uma outra mulher que trabalha no local um recadinho desagradável que teria sido feito originalmente pela diretora da faculdade.
— Estava pronta para voltar para casa, quando uma pessoa que nunca vi na vida chegou e me disse: ‘Olha, a diretora mandou avisar pra você baixar um pouco o volume do seu cabelo pra vir trabalhar amanhã’. E começou a rir, assim como outras mulheres que estavam no banheiro — relata Larissa ao Extra.
A jovem, há um ano e dois meses contratada pela Souza Marques via projeto Jovem Aprendiz, conta que havia sido remanejada de setor há cinco meses e que jamais tinha enfrentado qualquer incidente preconceituoso no ambiente de trabalho.
Indignada, a mãe de Larissa fez um desabafo em seu perfil no Facebook: “Minha filha é negra, linda!!! Usa um cabelo black super estiloso. É inteligente, educada, extrovertida (…) Liguei imediatamente para a Faculdade para descobrir o nome da referida Diretora. Fui muito bem atendida. Ao contar a história, a pessoa que me atendeu se surpreendeu e pediu que eu aguardasse um contato (…) A própria Diretora me retornou e falou que se tratou apenas de uma BRINCADEIRA. Ok. Então tá. Mas não… Estou cheia dessas ‘brincadeiras'”.
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É amigos... o sentimento é um mix de revolta e tristeza.
Minha filha Larissa foi vítima de racismo hoje, no seu local de trabalho.
Ela que trabalha na Faculdade Souza Marques, há um ano, foi surpreendida com um recadinho da Diretora, sra Neise Souza Marques:
"avisa para aquela ali, baixar um pouco do volume do cabelo dela, para voltar ao trabalho amanhã."
Minha filha é Negra, linda!!! Usa um cabelo black super estiloso. É inteligente, educada, extrovertida......
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Na sexta-feira, acompanhada da mãe, Larissa registrou o ocorrido na 29ª Delegacia de Polícia Civil (Madureira) e se desligou da faculdade, após uma reunião com a diretora, que assumiu a autoria do comentário, e com a direção de RH da instituição.
— Não havia a menor condição de continuar trabalhando ali, ser vista como a ‘encrenqueira’, a ‘vitimista’ — comenta a jovem, que agora pretende tomar as medidas judiciais cabíveis em relação ao caso.
Larissa, ao lado da mãe, Monica: apoio em momento de tristeza e indignação. Foto: Reprodução
Procurada pelo Extra, a diretora da faculdade não foi encontrada até o momento de publicação desta reportagem.
Por Pedro Willmersdorf, do Extra
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