sexta-feira, 13 de abril de 2012

Brasília - Jornada Literária da América Hispânica reúne autores consagrados e jovens revelações de 14 a 17 de abril

Durante três dias, será possível conhecer um pouco mais de perto a realidade do cenário literário de países de língua espanhola na América Latina. O seminário JORNADA DA AMÉRICA HISPÂNICA, que acontecerá de 14 a 17 de abril, colocará, na mesma mesa, autores que estão entre as vozes mais potentes de seus países. A Jornada foi organizada e terá mediação do escritor e tradutor Eric Nopomuceno.
PROGRAMAÇÃO
DIA 14
18h - JUAN GELMAN: Leitura e diálogo com o público

DIA 15
20h - MARIO BELLATIN/ HÉCTOR ABAD FANCIOLINE: Perdas, ganhos, esperanças

DIA 16
18h - MEMPO GIARDINELLI/ SAMANTA SCHWEBLIN: Duas gerações argentinas
20h - SENEL PAZ/ SÉRGIO RAMÍREZ: Revolução, revoluções

DIA 17
20h - ANTONIO SKÁRMETA: Leitura e diálogo com o público
AUTORES CONVIDADOS

ARGENTINA 
Mempo Giardinelli (Resistencia, 1947)
Um dos mais premiados e traduzidos escritores argentinos de sua geração, alcançou notável êxito com ‘Luna Caliente’, romance de 1983 – adaptado com grande sucesso pelo diretor Jorge Furtado para minissérie da TV Globo. Antes, havia publicado livros que chamaram a atenção de críticos e leitores, como ‘La revolución em bicicleta’ (1980) e ‘El cielo con las manos’ (1981). Com ‘Santo Oficio de la Memoria’ obteve, em 1991, o prêmio Rômulo Gallegos. ‘Imposible equilibrio’, de 1995, ‘Final de novela en Patagonia’, de 2000, ‘Cuestiones interiores’, de 2003, os relatos de ‘9 cuentos de amor’ (2009) são outros títulos importantes em sua obra. Seus livros estão traduzidos em vinte idiomas. Em alguns países, como Alemanha, Itália e México, são obras de sucesso permanente e reedições sucessivas – para não mencionar, é claro, a Argentina. Sua escrita retrata uma Argentina sem valores, corrompida pela truculência e falta de escrúpulos herdadas da ditadura militar. Dirige uma fundação que leva seu nome e que incentiva a leitura entre as classes menos favorecidas.

Samanta Schweblin (Buenos Aires, 1978)
Com seu primeiro livro, ‘El núcleo del disturbio’, de 2001, conquistou dois importantes prêmios na Argentina: o do Fundo Nacional das Artes e o concurso nacional Haroldo Conti. Publicado no ano seguinte, a obra revelou um vigor literário incomum em autores iniciantes. Em 2008, com ‘Pájaros en la boca’, a autora conquistou o prêmio Casa de las Américas, em Cuba, um dos mais prestigiados do continente latino-americano. Seus contos foram traduzidos para alemão, inglês, francês, sérvio, húngaro, italiano, sueco, português e holandês, e estão em antologias de vários países. É considerada uma das principais contistas argentinas e a crítica a situa como herdeira direta Borges, Cortázar e Bioy Casares. No Brasil, só dois contos seus foram já publicados pela revista Arte Letra K. ‘Pajaros em la boca’ tem previsão de lançamento no País em março, pela editora Benvirá.

Juan Gelman (Buenos Aires, 1930) 
Mais que da Argentina, trata-se de um dos poetas mais proeminentes de todo o idioma castelhano. Prêmio Nacional de Poesia na Argentina em 1997, Gelman conquistou o Prêmio Cervantes – o mais importante do idioma – dez anos mais tarde. Em 2005, havia recebido o prêmio Reina Sofía de Poesia. Seu livro mais recente, ‘El emperrado corazón amora’, é de 2011. Entre seus títulos mais marcantes estão ‘Gotán’, de 1962, ‘Cólera Buey’, de 1964, ‘Hacia el sur’, 1983, ‘Interrupciones I’ e ‘Interrupciones II’, ambos de 1988, ‘País que fue será’, de 2004, e ‘Mundar’, de 2007. Sua poesia está traduzida em mais de dez idiomas. 

CHILE
Antonio Skármeta (Antofogasta, 1940)
Ao lado de contemporâneos como Poli Délano e Ariel Dorfman, é um dos autores chilenos mais prestigiados de sua geração. ‘Desnudo en el telado’, por exemplo, seu segundo livro, ganhou em 1969 o prêmio Casa de las Américas. ‘Tiro Libre’, de 1973, ‘Soñé que la nieve ardía’, de 1975, ‘No pasó nada’, de 1980, confirmaram sua trajetória. Em 1985, escreveu ‘Ardiente impaciencia’, depois rebatizado para ‘O carteiro e o poeta’. Foi outro êxito estrondoso de público. Adaptado para o cinema pelo britânico Michael Radford em 1994, o livro se transformou num marco. A produção posterior de Skármeta não fez mais do que reforçar sua consagração. ‘La boda del poeta’ (1999), ‘La chica del trombón’ (2001) e ‘El baile de la victoria’ (prêmio Planeta de 2003) seguiram o mesmo rumo: prêmios, traduções pelo mundo afora. Ao lado de Isabel Allende e do falecido Roberto Bolaños, é o autor chileno mais prestigiado das últimas décadas. 

COLÔMBIA
Hector Abad Faciolince (Medellín, 1958)
Autor de ‘El olvido que seremos’, de 2007, um dos mais impactantes romances dos últimos anos na América Latina, escreveu ‘Angosta’ (2004) e ‘El amanecer de un marido’ (2010), romances que o situaram na proa não apenas da literatura atual colombiana, mas na do idioma espanhol. Seu pai, o médico Hector Abad Gómez, importante ativista dos direitos humanos, foi assassinado em 1987. Este foi o tema abordado em ‘El olvido que seremos’, obra que Faciolince afirma ter nascido para escrever. A tragédia influencia toda sua literatura, que mescla ficção e realidade.


CUBA 
Senel Paz (Sancti Spiriti, Cuba, 1950)
Roteirista, dramaturgo, é autor de um dos mais incensados livros das últimas décadas, ‘El bosque, el lobo y el hombre nuevo’, adaptado para o cinema por Tomás Gutiérrez Alea com o título ‘Morango e Chocolate’, único filme cubano a concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro (1995). Autor de ‘Las hermanas’, contos, 1993, ‘No le digas que la quieres’, contos, 2004, ‘En el cielo con diamantes’, romance, 2007, é dos mais requisitados roteiristas de televisão no universo do idioma castelhano. 


MÉXICO
Mario Bellatin (Cidade do México, 1960)
Um dos mais produtivos, inquietos e surpreendentes autores mexicanos contemporâneos. É autor de, entre outros livros, ‘Canon Perpetuo’ (1993), ‘Salón de Belleza’ (1994), ‘El jardín de la señora Murakami’ (2000), que alcançaram reconhecimento da crítica e êxito de público em países como França, Itália, Alemanha e Portugal, além do mundo de idioma espanhol. Aliás, ‘Salón de Belleza’ foi considerado, por um júri formado por escritores e críticos, um dos cem livros em espanhol mais importantes dos últimos 25 anos. Sua literatura experimental conquistou importantes prêmios no México e na França.

NICARÁGUA
Sergio Ramírez (Masatepe, 1942)
Contista e romancista, foi figura de proa na Frente Sandinista de Libertação Nacional, durante a guerra contra a ditadura de Somoza. Depois, foi o único não-guerrilheiro a integrar a Junta de Governo. Com as eleições de 1985, tornou-se vice-presidente da Nicarágua, até as eleições de 1990, quando os sandinistas perderam o poder. Desde os contos de ‘Charles Atlas también muere’, de 1976, passando pelo romance ‘?Te Dio miedo la sangre?’, do mesmo ano, tornou-se um dos mais prestigiados escritores da América Central. Paralela à sua atividade política, soube construir uma sólida carreira literária, com destaque para ‘Castigo Divino’, de 1988, ‘Un baile de máscaras’, de 1995, ‘Margarita, está linda la mar’, prêmio Alfaguara de romance em 1998. Seu ‘Adiós muchachos’, de 2007, traça as memórias de seu tempo como dirigente sandinista.

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A 1ª BIENAL BRASIL DO LIVRO E DA LEITURA é uma realização da Secretaria de Cultura e da Secretaria de Educação do Governo do Distrito Federal, em parceria com o ITS – Instituto Terceiro Setor. A coordenação geral é de Nilson Rodrigues e coordenação literária de Luiz Fernando Emediato. O projeto é inserido no Plano do Livro e da Leitura do Distrito Federal – Brasília Capital da Leitura. O evento acontecerá na Esplanada dos Ministérios, num espaço de cerca de 50 mil metros quadrados, com área coberta para receber 158 estandes.
*Evento terá os argentinos Juan Gelman, considerado o maior poeta vivo de seu país, Samanta Schweblin, apontada como herdeira do talento de contista de Borges e Cortázar, e Mempo Giardinelli, conhecido no Brasil pela adaptação de Luna Caliente

*Os aclamados Antonio Skármeta (Chile), Hector Abad Faciolince (Colômbia), Senel Paz (Cuba), Mario Bellatin (México) e Sérgio Ramirez (Nicarágua) discutirão o vigor da literatura latino-americana, com mediação de Eric Nepomuceno


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