quarta-feira, 18 de abril de 2012

MAM - SP - Exposição German Lorca fotografias: acontece ou faz acontecer? aborda os limites do real e da encenação na obra do artista, que completa 90 anos em 2012


Quais os limites do real e da encenação na obra de  German  Lorca? Essa pergunta vem à tona na curadoria proposta por Daniela Maura Ribeiro para a Sala Paulo Figueiredo, que tem abertura no Museu de Arte Moderna de São Paulo no dia 27 de março (terça-feira), às 20h, paralelamente à mostra  Wolfgang Tillmans,  na Grande Sala.  Já em seu título, a mostra  German Lorca fotografias: acontece ou faz acontecer? explicita sua premissa de explorar o jogo da dúvida entre registro documental e representação deliberada na obra do artista paulistano, um dos principais fotógrafos brasileiros do século 20, cujo trabalho experimental e inovador no campo da imagem o situa ao lado de nomes como Thomas Farkas e Geraldo de Barros. O foco da curadoria, mais uma vez no próprio título da mostra, é baseado no lema de German Lorca, “a fotografia acontece para o fotógrafo e ele a faz acontecer”.
O patrocínio da mostra é do Banco Pine. A entrada será gratuita durante todo o tempo em que a mostra ficar em cartaz.

A questão do título é crucial para o entendimento da exposição, que, mesmo não sendo a rigor uma retrospectiva, abrange praticamente todos os períodos da carreira  de  German  Lorca, com 120 obras clicadas desde 1947 (87 de seu acervo pessoal e 33 do MAM-SP).
As cenas eternizadas pelas lentes de Lorca aconteceram de fato ou foram encenadas? Daniela Maura Ribeiro, curadora da mostra, enumera algumas imagens cuja história por trás das lentes surpreende, como as fotografias Menina na chuva e À procura de emprego, ambas  de  1951  e pertencentes à coleção do MAM-SP.
“Vou citar dois exemplos. Primeiro, Menina na chuva. Essa fotografia parece um flagrante e por isso causa surpresa quando se revela que ela foi encenada. Lorca fez  Menina na Chuva
acontecer, ao pedir para sua sobrinha, Eunice, encenar o pulo sobre a poça d´água. Não é 
flagrante e sim o que chamo de pseudoflagrante, o falso flagrante que é construído, mas parece ser autêntico. O segundo é a fotografia À procura de emprego, que segue caminho inverso: é ‘acontece’, um flagrante, mas dá-se a impressão de que os dois homens posaram para a fotografia, portanto parece ‘faz acontecer’”. Esse pensamento do que acontece para o fotógrafo e que, portanto, ele flagra, e o que o fotógrafo faz acontecer, ou seja, que encena, constrói, permeia a exposição e isto é válido para todo o tipo de fotografia que Lorca faz”.As fotografias da exposição são apresentadas em corredores que garantem ao público a opção 
de percorrer diferentes trajetos nos quais diversas relações entre as obras são possíveis.
A curadora Daniela Maura Ribeiro é doutoranda em História Social pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), na linha de pesquisa História da Cultura. Mestre em História da Arte, pela Escola de Comunicações e Artes da USP (2006), com a dissertação Verdade ou Mentira? Considerações sobre o flagrante, o pseudoflagrante e a composição na fotografia de German Lorca. Membro do Grupo de Estudos do Centro de Pesquisa Arte & Fotografia do Depto. de Artes Plásticas da ECA-USP. 
SERVIÇO:
Exposição German Lorca fotografias: acontece ou faz acontecer?
Curadoria: Daniela Maura Ribeiro
Abertura: 27 de março de 2012 (terça-feira), a partir das 20h
Visitação: 28 de março a 27 de maio de 2012
Local: Museu de Arte Moderna de São Paulo
Endereço: Parque do Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - Portão 3)
Tel.: (11) 5085-1300
Horários: terça a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h)
ENTRADA FRANCA
Agendamento de visitas em grupo pelo tel. 5085-1313 e email educativo@mam.org.br
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Estacionamento no local (Zona Azul: R$ 3 por 2h)
Acesso para deficientes
Restaurante/café
Ar condicionado

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