Após quatro anos, músico e compositor diz desejar tranquilidade em meio às ‘excitações negativas’ do contemporâneo
POR LEONARDO LICHOTE
RIO — O mundo não é chato aos olhos de Caetano Veloso. Anda, porém, "assustador", segundo sua avaliação neste momento, enquanto vê os mísseis entre Israel e Gaza, avião derrubado na Ucrânia e prisões de manifestantes no Rio, entre outras "excitações negativas". Mas o compositor - que neste domingo passa o bastão para o jornalista, político e escritor Fernando Gabeira como colunista de domingo do Segundo Caderno - não transforma essa percepção em pessimismo imobilizador. As ideias continuam empolgando-o, sejam as do diálogo "O banquete", de Platão, sejam as do último disco do rapper americano Kanye West. E é aberto a elas que, completando 72 anos na quinta-feira, Caetano lança seu olhar esperançoso sobre o mundo:
— De Guinga a Ivete Sangalo, de Valesca Popozuda a Thiago Amud, há todo um leque de possibilidades — diz, referindo-se a declaração recente de Mônica Salmaso ao GLOBO sobre a MPB estar "pobre e nivelada por baixo".