Mostrando postagens com marcador Unicef. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Unicef. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Por uma infância sem racismo - Marie-Pierre Poirier

O Brasil é formado por muitas cores, vindas de quase todas as regiões do mundo. Essa combinação de diferentes povos e culturas é, sem dúvida, uma característica da população brasileira.

Mas, se essa diversidade é uma riqueza, por que ainda persistem desigualdades nas oportunidades?

Com o crescimento econômico brasileiro das últimas décadas, o analfabetismo caiu, a população tornou-se predominantemente urbana e o sistema de ensino superior passou por uma grande expansão.

Em geral, as desigualdades de renda diminuíram, resultado de políticas salariais e de transferência de renda aliadas a forte política de proteção social e expansão industrial. Mesmo assim, as desigualdades raciais persistiram e, em alguns aspectos, continuam críticas.

Embora as políticas públicas no país tenham sido construídas para todas as crianças, ainda não foram universalizadas em seus efeitos.

Estudos socioeconômicos e análises do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) mostram que os avanços alcançados não conseguiram ainda gerar impactos suficientes nas situações de desigualdades da população -sobretudo de crianças, adolescentes e mulheres negras e indígenas. A falta de acesso a serviços impõe obstáculos a negros e indígenas mesmo antes do nascimento.

Apenas 43,8% das grávidas negras têm acesso ao mínimo de sete consultas pré-natais, indicador que entre as brancas é de 72,4%.

Tal fato produz um efeito imediato e devastador na vida da criança.

Um bebê negro tem 25% mais chance de morrer antes do primeiro aniversário do que uma criança branca. Essa desigualdade é mais assustadora entre crianças indígenas, que têm duas vezes mais chances de não sobreviver aos primeiros 12 meses de vida em relação às crianças brancas.

O racismo também compromete o direito de aprender. Uma criança indígena tem quase três vezes mais chance de estar fora da escola do que uma criança branca. Da mesma forma, do total de 530 mil crianças de sete a 14 anos que não estudam, 62% são negras (Pnad, 2009).

Na adolescência, encontramos uma das faces mais cruéis do impacto do racismo. O Índice de Homicídios na Adolescência (IHA) mostrou que um adolescente negro que vive nas cidades com mais de 100 mil habitantes tem 2,6 vezes mais risco de morrer vítima de homicídio do que um branco.

Quando se fala em pobreza, a iniquidade segue o mesmo perfil. No país, 45,6% das crianças vivem em famílias pobres (renda per capita de até meio salário mínimo). São 26 milhões de crianças nessa situação. Dessas, 17 milhões são negras.

A análise segundo a cor de pele confirma a desigualdade socioeconômica e revela uma profunda desigualdade racial. Entre as crianças brancas, a pobreza atinge 32,9%; entre as crianças negras, 56%.
As estatísticas oficiais mostram uma situação de desvantagem e exclusão que tem reflexos muito concretos na vida de crianças e adolescentes. A criança, ao vivenciar esse cotidiano de desigualdade, tem a percepção de que negros, brancos e indígenas ocupam lugares diferentes na sociedade.

Por isso, torna-se fundamental uma socialização que desconstrua essa percepção, contribuindo dessa forma para mudar a realidade.

A campanha que o Unicef acaba de lançar promove a reflexão sobre essas disparidades raciais. O objetivo é alertar a sociedade sobre o impacto do racismo na infância e na adolescência e estimular iniciativas de redução das desigualdades.

Não podemos aceitar que a cor da pele determine a vida de crianças. Afinal, qual sorriso é mais bonito? Qual vida vale mais? Reconhecer e lutar contra o impacto do racismo na infância é condição primordial para uma sociedade que deseja garantir a igualdade de oportunidades e a valorização da diversidade para todos.

MARIE-PIERRE POIRIER, 49, economista, é representante do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) no Brasil.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

UNICEF lança em Alagoas campanha contra o racismo na infância





O dia 03 de dezembro será uma data especial e de mobilização no Estado de Alagoas devido ao lançamento da Campanha Nacional “Por uma infância sem racismo” promovido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em parceria com várias instituições. A atividade acontecerá a partir das 9h, no Parque Memorial Quilombo dos Palmares localizado no platô da Serra da Barriga em União dos Palmares, distante 92km da capital alagoana.

Cerca de 200 crianças oriundas de comunidades quilombolas, indígenas, ciganas e que residem em áreas de vulnerabilidade social visitarão o local onde se formou o maior quilombo da resistência negra e de luta por liberdade e justiça social. Elas participarão de um cortejo étnico e terão a oportunidade de ouvir a contação de história sobre o herói negro Zumbi e a importância do Quilombo, além de assistir e protagonizar várias apresentações culturais. 

Na solenidade, constará uma coletiva de imprensa com a participação de Salvador Soler Lostao, Coordenador do UNICEF no Escritório Zonal do Recife e Helena Oliveira Silva do UNICEF-Brasília, que discutirão os dados do Estado relativos ao tema e esclarecerão as principais dúvidas sobre a campanha. E no encerramento do evento, todos os participantes se dirigirão ao centro do Parque para executar um abraço simbólico na Serra da Barriga.

Com uma duração de 12 meses, a ação busca sensibilizar a sociedade e os veículos de comunicação sobre os impactos do racismo na infância em todo o país. Também promoverá uma rede de articulação com o objetivo de realizar atividades sócio-culturais e de cidadania para eliminar atitudes discriminatórias contra crianças e adolescentes indígenas, negras, ciganas, brancas, com deficiências e outras.

UNICEF

O Fundo das Nações Unidas para a Infância está presente desde 1950 e completa nesse ano 60 anos de sua presença no Brasil, estando praticamente todo o território nacional. Tem liderado e apoiado vários projetos destinado à transformação social de crianças, adolescentes e suas famílias. Tem contribuído para o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente, no combate do trabalho infantil, redução da mortalidade infantil, melhorias no aprendizado das crianças e diminuição na evasão escolar, na publicação de dados contundentes sobre como a iniquidade racial e étnica no Brasil afeta efetivamente a vida de crianças e adolescentes, dentre outras ações.




Fonte: GazetaWeb

AS MAIS ACESSADAS

Da onde estão acessando a Maria Preta