segunda-feira, 15 de junho de 2009

Salvador ganhou um Cidadão Especial Abdias do Nascimento recebe Título de Cidadão Baiano

A Bahia ganhou um cidadão muito especial. Um cidadão que tem história no movimento negro brasileiro, na política, ciência, nas artes, enfim na diáspora. Ele é o nosso majestoso professor, poeta, artista plástico, escritor e dramaturgo, o intelectual Abdias do Nascimento.

04 de junho de 2009, na Assembléia Legislativa da Bahia, através da iniciativa do projeto de resolução nº. 1799/2005, do deputado estadual negro e atual secretário estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Valmir Carlos Assunção. Não ocasião foi concedido à esta personalidade da causa negra, que tem projeção internacional, o título de cidadão baiano.

Nascido em Franca, São Paulo, no dia 14 de março de 1914, Abdias do Nascimento é uma referência de superação e luta das questões ligadas, não só às políticas públicas para a comunidade negra, como também à elevação da auto-estima dos afro-brasileiros na América.

Bacharel em Economia pela Universidade do Rio de Janeiro em 1938, tem diploma pós-universitário pelo Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), é pós-graduado em Estudos do Mar pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Ministério da Marinha, em 1967. Doutor Honoris Causa, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 1993. Doutor Honoris Causa, Universidade Federal da Bahia, 2000. Exerceu vários cargos públicos como, Eletivos e Executivos como deputado federal (1983-86), secretário de estado do governo do Rio de Janeiro, secretaria extraordinária de Defesa e Promoção das Populações Afro-Brasileiras (SEAFRO) (1991-1994), senador da República (1991-99). Suplente do Senador Darcy Ribeiro, assumiu a cadeira no Senado, representando o Rio de Janeiro pelo PDT em dois períodos: 1991-1992 e 1997-99. Secretário de Estado de Direitos Humanos e da Cidadania, Governo do Estado do Rio de Janeiro, 1999. Coordenador do Conselho de Direitos Humanos, 1999-2000. Professor Emérito, Universidade do Estado de Nova York, Buffalo professor titular de 1971 a 1981. Fundou a cadeira de Cultura Africana no Novo Mundo no Centro de Estudos Porto-riquenhos.

Porém, a sua história não se resume apenas na questão política e intelectual, ele brilhou nas artes quando ousou criar o Teatro Experimental do Negro (TEN), em 1944, apresentando ao universo cultural um jeito subjetivo de pensar e exercer a arte, além de realizar várias exposições nacionais e internacionais das suas telas, publicou livros como: de Sortilégio (mistério negro) (1957/1979), Dramas para negros e prólogo para brancos (1961), O negro revoltado (1968/1982), Axés do sangue e da esperança (1983), O genocídio do negro brasileiro (1978), Sitiado em Lagos (1981), Orixás: os deuses vivos da África (1995), e O Brasil na mira do pan-africanismo (2002).

Estavam presente na sessão especial, o autor do projeto Exmo. Deputado Valmir Assunção, à Exma. secretária da Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros representando o governador do Estado, o ex-governador da Bahia Valdir Pires, o presidente da Assembléia Legislativa da Bahia, deputado Marcelo Nilo, o vice-prefeito da cidade do Salvador Edvaldo Brito, a esposa de Abdias, Elisa Larkin, a Ialorixá, Mãe Stela de Oxossi do Ilê Axé Opô Afonjá, Elói Ferreira da Seppir, a presidente do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra, Vilma Reis, o presidente do Bloco Afro Ilê Ayê, Antônio Carlos Vovô, o presidente do Olodum, João Jorge, dentre outros e outras representantes da militância negra que combatem o racismo no estado da Bahia.

Vale salientar que o discurso do deputado Valmir Assunção, assim como o da secretária Luiza Bairros, solidificaram a importância da honraria ao professor. Valmir Assunção falou sobre o a ocasião especial, que é homenagear o professor Abdias, por ser ele, um militante convicto das suas proposições. "Abdias não é só um cidadão baiano e brasileiro, mas sim um cidadão do mundo. Ele é uma das maiores referências do povo negro". Dessa forma o deputado exprimiu o prazer em homenageá-lo. Já a saecretária Luiza Bairros destacou que Abdias é uma pessoa adiante do seu próprio tempo e que tudo que sabemos hoje sobre o racismo e seu papel estruturante na sociedade brasileira foi antecipado por ele. Bairros citou a responsabilidade dos baianos, como também dos (as) parlamentares que compõem a Assembléia Legislativa em realizar um debate profundo no que diz respeito ao estatuto da igualdade racial e da intolerância religiosa no estado.

Após o discurso, Abdias do Nascimento muito emocionado com toda a sabedoria ancestral que possui ao longo dos seus 95 anos de vida e ao ser condecorado com o título de cidadão baiano, mesmo tendo um acúmulo de mais e 36 honrarias, ele não conseguiu produzir um discurso combativo como o da década de 1940, em plena ditadura militar, quando já denunciava a coerção policial e genocídio do povo negro.

Abdias do Nascimento é sem duvidas um dos maiores intelectuais pan-africanista, não só do Brasil, como do mundo e da diáspora. Ele conseguiu transmitir as suas idéias, intervenções e pensamentos, a partir do seu próprio lugar social, como na poesia que escreveu denominada o Padê de Exu libertador, em 02 de fevereiro de 1981, no qual pede a Exu para "plantares na minha boca o teu axé verbal" deste modo ele condecora toda a sociedade baiana negra nos contemplando com a sua intelectualidade e sabedoria ancestral na luta na anti-racista.

 

Texto de Ana Paula Fanon


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