sexta-feira, 23 de março de 2012

Somos todos Rio dos Macacos

Sergio São Bernardo ao lado de João Jorge (Olodum),
Alaíde  do Feijão e a vereadora Olivia Santana
na Quitanda do Saber 2010.
As zonas de contato para a luta que concretiza a titulação definitiva do Quilombo Rio dos Macacos são complexas e frágeis. Não podemos usar ações diretas e nem podemos afirmar que o Estado é o nosso inimigo. Ao adotarmos métodos modernos de confrontação e disputa política abrimos um fosso para uma hermenêutica legitimadora dos resultados das regras do jogo. Hoje nosso maior aliado e o nosso maior algoz é o Estado, com suas maquinarias, procedimentos e personagens com interesses diversos. Temos uma União e uma Defensoria Pública fazendo uma luta por dentro e por fora. Temos movimentos civis e particulares fazendo também a luta por dentro e por fora. No entanto, as peles que colocávamos no dorso dos animais para amortecer as tensões dos interesses opostos, estão lá. Princípios políticos misturam-se à princípios legais como se fossem sinônimos. Uns poucos astutos constroem suas próprias esferas públicas fora dos rios dos macacos e decidem o que devem e o que não devem compor o grande jogo.
O que fica é a nudez do tempo das pessoas esperando o resultado como uma crônica anunciada: perder os anéis para não perder os dedos. Democraticamente uma parte do Estado utiliza os nossos mesmos recursos ideológicos, políticos e jurídicos e diz categoricamente que alí é uma "área de interesse estratégico para a defesa nacional" e dignifica a primazia da lei entendida como o império do direito e da paz social. Só uma ação plasmada na alteração da correlação de forças e na ação direta podem criar fissuras no debate da democratização dos territórios e dos lugares no Brasil. 

Sergio São Bernardo advogado e ativista social

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