terça-feira, 17 de abril de 2012

Kangni Alem afirma que as línguas dos colonizadores são reinventadas pelos povos africanos

Zulu Araújo foi mediador do debate a direita
Foto: arquivo Maria Preta
As marcas da colonização, o uso das línguas europeias e a progressiva retomada do idioma materno configuram importantes questões no fazer literário dos povos africanos. A afirmação é do escritor da República do Togo, Kangni Alem, que abriu a série de debates sobre literatura africana contemporânea, neste domingo (15) na I BIENAL BRASIL DO LIVRO E DA LITERATURA.
No debate conduzido pelo ativista do movimento negro, ex-presidente da Fundação Palmares e professor da Universidade de Brasília (UnB), Zulu Araújo, o autor de Escravos contou que seu romance foi “uma tentativa de relato da história de africanos em contato com o Brasil. A escravidão se fez pelo Brasil. Houve escravos que regressaram para a África após esse período, levando para lá importantes, expressivas marcas culturais”.

Kangni Alem conversou ainda com o público sobre a originalidade da literatura africana que, apesar de se valer, em parte, dos idiomas dos colonizadores – francês, inglês ou português – renova, reinventa esses idiomas com seus legados culturais e linguísticos primeiros. “Quando me perguntam o porquê de eu escrever em francês, respondo que essa é a minha primeira língua. Nos escombros da colonização, achamos essa ferramenta. Mas penso que as línguas locais irão voltar com força na literatura”, avalia. (Luciana Barreto)

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