A Bahia esteve, durante longos anos, acostumada a um Estado meio pai, meio padrasto
no campo cultural. Meio pai porque o Estado sempre decidia tudo: quais as prioridades,
quais as políticas, onde e quanto investir. Meio padrasto também, na medida em que
somente alguns poucos desfrutavam dos benefícios do investimento público, enquanto a
maioria da população amargava a indiferença e o preconceito.
A revolução cultural do século XXI virá da rebeldia silenciosa contra as regras da
grande indústria. Já está acontecendo. Milhões e milhões de pessoas espalhadas pelo
mundo produzindo e compartilhando bens culturais. Expressões da infinita diversidade
cultural humana contra o “mais do mesmo” dos estúdios e gravadoras transacionais.
Este sinal dos tempos requer acesso, liberdade e ousadia. Por isso, acredito que toda
política cultural contemporânea deva ter sua própria “pedagogia da autonomia”.
As políticas culturais do Governo Wagner estão sendo debatidas e formuladas em
conjunto com a sociedade, numa jornada que irá culminar na II Conferência Estadual de
Cultura. Muitas pessoas, ansiosas após tantos anos de silêncio, têm se doado
entusiasticamente ao processo de construção democrática. Outros tantos, porém, não
conseguem enxergar validade nesse diálogo e o consideram “perda de tempo”. Aos
primeiros, agradeço a dedicação e a coragem de dividir a responsabilidade pelo desenho
de uma política pública. Aos demais, peço que não esperem que este governo assuma o
papel nem de pai nem de padrasto.
Nestes poucos meses de governo, já discutimos políticas culturais em todos os 26
Territórios de Identidade da Bahia. Atravessamos as fronteiras do Estado e do país e
estabelecemos acordos com a Venezuela, Portugal e França. Parcerias, afinal, é a
palavra de ordem do novo Governo da Bahia.
E é com esse ideal de cooperação que realizaremos na capital baiana, de 12 a 15 de
junho, o Encontro de Cultura Colaborativa - ECCO. Inédito no país, o ECCO é um
encontro nacional que reúne programas federais e estaduais de inclusão social através de
tecnologias digitais e do acesso à Internet. Colaboram para a realização do ECCO os
governos federal e estadual e a Prefeitura de Salvador.
A integração desses programas encontra na Bahia um terreno fértil. Além da conjuntura
política favorável, a sociedade baiana está mobilizada para tornar efetivo o clamor por
transformação, expresso nas eleições de 2006. Esta soma de disposições e
potencialidades pode gerar um marco para os programas de inclusão de todo Brasil.
A expressão que nomeia o evento, “Cultura Colaborativa” é derivada do fenômeno de
práticas de colaboração e construção coletiva que começam a caracterizar a sociedade
contemporânea. Nós, que “ocupamos” o Estado, temos que aprender com o exemplo
que a sociedade está dando. Temos que aprender a colaborar por um país melhor.
Artigo escrito por Marcio Meireles
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